terça-feira, 5 de outubro de 2010

Foi isto e muito mais, que me tocou, que senti e que me mudou

É tão fácil deixarmo-nos levar pela corrente, e tão difícil é contraria-la. O mundo mostra-nos mil focos, variadíssimas energias, metamorfoses que mudam a velocidade do mundo. Aquilo que antes dávamos como adquirido, hoje torna-se uma miragem se não lutarmos para o ter. Quando falo em ter, remeto para o possuir, mas com amor. Um ter mágico, que é dado por um feitiço que não se vira contra o feiticeiro. Um ter não descartável.
É tão fácil colocarmos paredes naquilo que somos, naquilo que queremos, e ficarmos ali especados a olhar sem ver nada de relevante. A olhar para o que ficou para trás, a contar as histórias de um disco que se repete, risca-se mas não se cansa de tocar.
É tão fácil perdermos a humildade, esquecermo-nos da essência e sermos levados pela pressão e pelo fútil de competição.
É tão fácil digitalizar os nossos problemas e estampá-los com grande relevo no mundo. Difícil é ver que os nossos problemas digitalizados socialmente são fracassos pessoais.
Dificil é perceber que a força está no simples que se vê e naquilo em que se crê.
É tão fácil pedir atenção e tão difícil pedir desculpa. É tão fácil dizer que desculpamos e tão difícil é esquecermos aquilo que acreditamos.
É tão fácil sermos desonestos, e tão difícil ser honesto neste mundo indigno.
É tão fácil nos queixarmos, e tão difícil é agradecer.
É tão fácil ser triste num mundo deprimente, e tão difícil é ser feliz num mundo vê tudo negativamente.
Mas sabem meus amores? A dificuldade é um trampolim para o crescimento, para o agradecimento e para veres realmente a tua veracidade e unicidade de um mundo que nunca te mostra a tua parte singular - a original e distinta do que te envolve.

Nita Domingos



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