“ A amizade, pensava eu – e tu, que andaste mais pelo mundo fora, certamente sabes mais e melhor que eu, aqui na minha solidão campestre - , é a relação humana mais nobre que pode haver entre os seres vivos humanos. É curioso, os animais conhecem-na bem também. Existe amizade, altruísmo, solidariedade entre os animais. Um príncipe russo escreveu sobre isso… já não me lembro do nome dele. Há leões e galos bravos, criaturas de todo o género que tentam socorrer os da sua espécie que se vêem em apuros, sim, vi com os meus próprios olhos que, às vezes, ajudam também aos animais de outra espécie. (…).Entre pessoas, vi menos exemplos. Para ser mais exacto, não vi nenhum. As simpatias que vi nascer entre pessoas diante dos meus olhos, acabaram sempre por se afogar nos pântanos do egoísmo e da vaidade. A camaradagem, o companheirismo, às vezes, parecem amizade. Os interesses comuns por vezes criam situações humanas que são semelhantes à amizade. E as pessoas fogem da solidão, entrando, entrando em todo o tipo de intimidades de que, a maior parte das vezes, se arrependem, mas durante algum tempo podem estar convencidas de que essa intimidade é uma espécie de amizade. Naturalmente, nesses casos não se trata de verdadeira amizade. Uma pessoa imagina – e o meu pai entendia as coisas dessa maneira – que a amizade é um serviço. O amigo, assim como o namorado, não espera recompensa pelos seus sentimentos. Não quer contrapartidas, não considera a pessoa que escolheu para ser seu amigo como uma criatura irreal, conhece os seus defeitos e assim o aceita, com todas as suas consequências. Isso seria o ideal. E na verdade, vale a pena viver, ser homem, sem esse ideal? E se um amigo falha, porque não é um verdadeiro amigo, podemos acusá-lo, culpando o seu carácter, a sua fraqueza? Quando vale aquela amizade, em que só amamos o outro pela sua virtude, fidelidade e perseverança? Quanto vale qualquer afecto que espera recompensa? Não seria nosso dever aceitar o amigo infiel da mesma maneira que o amigo abnegado e fiel? Não seria isso o verdadeiro conteúdo de todas as relações humanas, esse altruísmo que não quer nada nem espera nada, absolutamente nada do outro? E quanto mais dá, menos espera em troca?(…)Vês, dediquei-me a essas questões teóricas quando fiquei sozinho. Naturalmente, a solidão não me deu resposta. Nem os livros deram resposta perfeita. Nem os livros antigos, os estudos dos pensadores chineses, hebreus e latinos, nem os modernos que falam sem rodeios, mas dizem sobretudo palavras e não a verdade.”In: As Velas Ardem até ao Fim, Sándor Márai, Dom Quixote, 2006,
Este é só um exerto de um dos livros que me fez questionar sobre muitas coisas. Ao ler cada linha, pensei, 'que livro é este que acabei de ler?' É mais do que a elegia da amizade, mais do que o assoberbar do amor, do ódio, do desejo de vingança... É mais do que cem folhas em letra miúda, é mais do que um desabafo da alma de um autor húngaro de quem nunca ouvi falar... no entanto, foi uma boa surpresa :) Tem uma vida própria. Tem identidade. Com uma escrita detalhada mas de traços simples que nos faz sentir que estamos a assistir a uma peça de teatro, o autor narra-nos a conversa nocturna entre dois seres humanos que aguardaram quarenta e um anos por uma resposta que afinal se resume a duas vidas perdidas na partilha de um segredo.. É um livro intenso e não o achei secante. Tudo foi posto em causa...
Onde acaba a amizade e começa o amor? Ou será este um prolongamento do primeiro? E a fidelidade, terá sentido? O que é a traição? As palavras que se soltam são tremedamente pesadas, mas absorvidas pelo visitante.
Gostei imenso Mary :)
ResponderEliminarohh *.* eu tinha 5, mas agora a minha lady teve 3 bebes *.* 8 :$
ResponderEliminarVou seguir o teu blog :)
ResponderEliminarBeijinho
Bem quanto às perguntinhas a negrito tenho-te a dizer que são um valente berbicaxo e nem eu tenho a experiencia e a maturidade para as responder. Sou muito nova e pouco experienciei ate hoje :S
ResponderEliminarApesar de tudo, continuo a achar que cada história é uma história e nada na vida se repete :)
E nao te preocupes com a ausencia. Tambem eu tenho andado meia desaparecida mas vou sempre lendo o que se vai passando por aqui :)
Sempre que precisares,tens aqui alguém que te dará o melhor que tem para ajudar ;)
Beijinhos querida ^^
Que texto :'o
ResponderEliminarGostei muito *.*, e deixaste-me a pensar Mary...
ResponderEliminarUm bom fim de semana tbm para ti.
Beijinhos :)
Deixei um selinho para ti, passa lá buscá-lo, sim?
ResponderEliminarBeijinho,
D.
O amor às vezes pode ser considerado um prolongamento da amizade... A fidelidade tem todo o sentido e a traição é a entrega do sentimento a outra pessoa. :$
ResponderEliminarGostei imenso :$
ResponderEliminarO amor começa num simples gesto de indirecta romântica.
ResponderEliminarA fidelidade só faz sentido quando ambos são retribuidos a 100% de igual forma na confiança, no amor e no carinho compartilhado, porque, se tal não acontece, a relação começa a descambar e a traição passa a ser inevitável se existe alguém que nos dá aquilo que o nosso namorado não tem dado.
PS: Inspiras